Tratamento médico

Tratamento medicamentoso das epilepsias

Por mais de oitenta anos, o tratamento mais efetivo para pessoas com epilepsias ou crises de uma maneira geral foi a utilização de medicações que previnem as crises, chamadas de medicações anti-convulsivantes ou anti-epilepticas. Se por um lado as medicações não curam as epilepsias, por outro elas tornam possivel a muitas pessoas com crises levar uma vida normal, ativa e completamente livre das crises. Outros podem continuar a ter crises, mais ou menos frequentemente. Caso as medicações não sejam efetivas, outros métodos de tratamento podem ser utilizados. Em crianças, a dieta cetogênica (que inclui altas taxas de gordura, poucos carboidratos e uma restrição ao numero de calorias) pode ser prescrita pelo médico. Para algumas pessoas, cirurgia pode ser recomendada ou então um um tratamento através do implante de aparelhos que enviam sinais elétricos diretamente para o cérebro.

A medicação correta

Sempre que possível, os médicos tentam prevenir as crises com uma medicação única, a chamada monoterapia. Algumas pessoas podem necessitar mais de um tipo de medicação (a chamada politerapia) para atingir o controle de suas crises. Quando seleciona uma medicação, o médico irá considerar o tipo de crise que você tem. Nem todas as medicações funcionam para todos os tipos de crises. O médico também irá considerar como as medicações podem afetá-lo. As pessoas reagem de maneira individual às medicações, da mesma maneira que elas reagem de maneira diferente à qualquer substância que entra em seu corpo. Uma pessoa pode ter efeitos colaterais enquanto a outra não os possui. Tudo isso significa que os médicos terão, ou poderão tentar diversas medicações na tentativa de encontrar aquela que seja a melhor para você. Com tanta variabilidade entre as pessoas, pode levar algum tempo para que se possa adequar as medicações a cada um dos indivíduos. Uma das maneiras que os médicos utilizam-se para saber quanta medicação você necessita (e para garantir que ela não esteja em demasia) é através da mensuração das mesmas em seu sangue. Algumas medicações atingem um ponto efetivo que é capaz de prevenir as crises de uma maneira mais rápida do que as outras. Saber quanto da medicação que você está tomando está em seu sangue mostra também indiretamente quanta dessa medicação está chegando ao seu cérebro, onde as crises são geradas. Se as crises não estão controladas e o nível da dosagem está baixo, a quantidade da medicação pode ser aumentada; se a dosagem está muito alta, os efeitos colaterais são comuns e a dose pode ser reduzida.

Anticunvilsiovantes

Obviamente, poucas linhas são insuficientes para caracterizar medicações tal complexas quanto os anticonvulsivantes, no entanto os mesmos podem ser considerados de primeira ou segunda linha, adjuvantes ou novos.

Os anticonvulsivantes de primeira linha são melhor representados pela carbamazepina (Tegretol) e valproato de sodio (Depakene, Valpakine). Eles estão indicados como de primeira escolha nas crises chamadas parciais ou generalizadas, respectivamente. Os medicamentos principais de segunda linha são a difenilhidantoína (Hidantal, fenitoína), o fenobarbital (Gardenal) e a primidona (Mysoline, Primidona). São utilizados quando os de primeira linha não podem ser utilizados (em alergias, por exemplo) ou quando os mesmos não surtem o efeito desejado. Medicamentos chamados de benzodiazepínicos são denominados adjuvantes. Não devem ser utilizados isoladamente para o controle das crises, mas muitas vezes, em conjunto com medicações de primeira linha podem ter excelentes efeitos. Os principais representantes são o clonazepan (Rivotril) e o clobazan (Urbanil, Frisium). As novas medicações foram desenvolvidas em laboratório para diminuir os eventuais efeitos colaterais das medicações de primeira linha ou tentar atuar nas substâncias do cérebro que supostamente são as causadoras das crises. As principais são a lamotrigina (Lamictal), o gama-vinil-gaba (Sabril) e a oxcarbamazepina (Trileptal). Apesar de novas medicações, no momento não conseguiram superar em uso as medicações de primeira linha.

Dosagem Plasmática (sangue) de anticonvulsiovantes

Muitas vezes, quando ocorrem efeitos colaterais das medicações ou quando não conseguimos o controle das crises, pode ser necessário dosar a quantidade de drogas no sangue. Isto é realizado por meio de uma coleta convencional de amostra de sangue. Esta dosagem pode orientar o médico quanto às eventuais necessidades de modificar para mais ou para menos a quantidade das medicações.

Efeitos colaterais

Como ocorre com todos os remédios, as medicações anti-epilépticas podem ter tanto os efeitos desejados no controle das crises quanto efeitos indesejáveis. Alguns desses efeitos são dose-dependentes e ocorrem somente quando uma pessoa está tomando níveis elevados da medicação. Outros efeitos colaterais podem ocorrer independentes da dose e alguns podem ser do tipo alergico, como uma vermelhidão cutânea. Os efeitos colaterais tendem a ser mais comuns quando do início da utilização de uma medicação ou quando existe uma grande modificação em sua dose. Estes efeitos colaterais iniciais podem desaparecer depois de alguns dias. Convém lembrar que a maioria das pessoas não possuem efeitos colaterais com o uso de medicações anti-convulsivantes.

Os efeitos colaterais são mais comuns quando uma droga está sendo introduzida ou uma grande mudança na dosagem é feita. Esses efeitos podem desaparecer após alguns dias. A maioria das pessoas não têm efeitos colaterais. Quando você começa a usar uma medicação, pergunte ao seu médico sobre os efeitos colaterais que podem ocorrer, sua gravidade e quando eles devem ser comunicados. Se ocorrerem efeitos colaterais, discuta-os com seu médico. Esses efeitos podem variar, dependendo da medicação.

Os efeitos colaterais mais comuns incluem: sonolência, fadiga, náusea, distúrbios visuais e eupções cutâneas. Algumas medicações podem afetar as emoções, os níveis de atividade (incluindo hiperatividade), memória ou o desempenho das crianças na escola. Várias drogas para epilepsia podem ter efeitos específicos em outros órgãos do corpo, tal como no fígado e nas células sanguíneas. Esses efeitos podem ser monitorados pelo seu médico.

Outros medicamentos

Quando alguém está tomando várias medicações, pode haver uma interação entre as drogas. A interação de drogas pode aumentar ou diminuir os efeitos da medicação no seu organismo. Por exemplo, algumas drogas antiepilépticas e pílulas anticoncepcionais podem interagir, tornando menor o efeito da pílula.

Mulheres portadoras de epilepsia que pretendem usar pílulas anticoncepcionais devem discutir com seu médico essa possibilidade.

Para impedir outros efeitos indesejáveis com a interação de drogas, fale sempre ao seu médico, dentista e farmacêutico sobre outros medicamentos que você está utilizando. Quando estiver comprando ou usando medicações sem receita médica, é uma boa idéia checar com o farmacêutico sobre a possibilidade de ocorrer interação de drogas.

Genéricos

Muitas medicações antiepilépticas são vendidas em duas formas: com nome genérico ou com nome comercial. As medicações com nomes comerciais são feitas por uma companhia específica. As medicações genéricas são frequentemente produzidas por diferentes companhias.

A química, tanto nos comerciais como nos genéricos é exatamente a mesma. A maneira pela qual eles são absorvidos pelo seu estômago ou processados pelo seu corpo pode, no entanto, ser diferente. Isto pode afetar a quantidade de medicamento que você precisa. Se o farmacêutico perguntar-lhe qual medicação que você prefere, nome genérico ou comercial, é uma boa idéia verificar com seu médico a forma da droga que será melhor para você.

Gravidez

Toda mulher tem de 2-3% de risco de ter um filho com defeito. Entretanto, este risco é maior em mulheres com epilepsia (estimado em torno de 4-6%). Fatores genéticos e o uso de drogas antiepilépticas podem influenciar esse risco.

Os efeitos da medicação no desenvolvimento de uma criança podem ocorrer mais comumente nas primeiras semanas da gestação, frequentemente antes que a mulher saiba que está grávida. Dessa forma, é melhor para a mulher portadora de epilepsia falar com seu médico sobre seus planos, antes de engravidar. Esta discussão deve ser com o neurologista e com o obstetra/ginecologista.

Para algumas mulheres que planejam engravidar, pode ser apropriado fazer mudanças na medicação ou tentar diminuir a medicação se elas estiverem bem controladas. Entretanto, isto deve ser feito somente após uma discussão cuidadosa com seu médico. Tomar vitaminas durante o pré-natal, especialmente o ácido fólico, antes e durante a gravidez , pode diminuir o risco de defeitos congênitos. Se uma mulher com epilepsia descobre que está grávida, ela deverá notificar imediatamente seu médico, mas não deverá parar ou alterar sua medicação por conta própria. A interrupção brusca da medicação antiepiléptica pode causar crises que poderão alterar sua vida ou a continuação da gravidez. Na maioria dos casos é improvável que as medicações sejam interrompidas.

Durante a gravidez, há mudanças no modo como o corpo da mulher processa a medicação. Por esta razão, a dose poderá ser monitorada mais de perto e frequentemente ajustada. Se por um lado a gravidez representa uma preocupação especial para mulheres portadoras de epilepsia, mais de 90% daquelas que engravidam dão à luz crianças normais e saudáveis.

Crianças

Muitas crianças que têm a primeira crise não são medicadas com drogas antiepilépticas. Entretanto, se suas crises continuam, a medicação geralmente é prescrita. Para crianças, bem como para adultos, o objetivo do tratamento é reduzir o número de crises, se possível. a nenhuma, com o mínimo de efeitos colaterais das drogas.

Avaliações regulares de crianças com epilepsia são importantes. Como as crianças crescem e aumentam de peso, elas podem necessitar mudanças na quantidade de medicação que estão tomando. Em consequencia das diferenças no modo como crianças e adultos processam os remédios, é necessário uma dose relativamente maior de drogas para controlar as crises de uma criança do que nos adultos. Particularmente na puberdade, quando o corpo da criança inicia mudanças, pode haver uma necessidade maior de ajuste da medicação .

As crianças deveriam ser estimuladas a ter responsabilidade no uso de sua medicação antiepiléptica. Isto estimula um senso de independência e controle e ensina-lhes a tomar a medicação no horário correto. Entretanto, pais ou responsáveis necessitam ter a certeza de que a medicação está sendo tomada. Tomar medicações diariamente pode ser difícil, mesmo para adultos mais disciplinados.

O uso de uma caixa de acondicionamento semanal de comprimidos, para armazená-los e preenchê-la cada semana, pode ser útil na monitorização do remédio tomado. A verificação periódica dos frascos de medicação poderá ajudar a confirmar se a prescrição está sendo seguida regularmente.

Mudanças na freqüência de crises ou o aparecimento de novos efeitos colaterais, podem ser também um sinal de que a medicação não está sendo tomada adequadamente. Se isto ocorre, pais ou responsáveis devem rever cuidadosamente se a criança está tomando a medicação como foi prescrita.

Crianças que tomam medicação três ou mais vezes por dia podem ter que fazê-lo na escola. Os pais deverão verificar com a administração da escola como essa medicação pode ser tomada. A maioria das escolas pedirão aos pais para enviar um frasco da medicação rotulado para ser guardado na clínica da escola para que a criança pegue a medicação na própria escola.

Os pais, às vezes, preocupam-se com crianças ou adultos jovens que tomam medicação antiepiléptica, acreditando que possam ser mais suscetíveis a tornarem-se viciados em drogas. Não há evidências disto. De fato, a reação mais comum de muitos adolescentes portadores de epilepsia é expressar rebeldia contra os pais, parando de tomar a medicação do que tomando-a em excesso.

Pessoas que interrompem bruscamente a medicação podem experimentar um aumento considerável na gravidade de suas crises. Entretanto, esta reação não é devida a vício, mas à necessidade da medicação para prevenir as crises.

Os idosos

A epilepsia está se tornando um problema comum nos idosos. A maioria das pessoas idosas com crises podem ser tratadas efetivamente com drogas antiepilépticas e continuar a ter uma vida produtiva. Entretanto, o uso de drogas antiepilépticas nos idosos traz problemas especiais e potencialmente graves.

Homens e mulheres idosos podem estar tomando remédios para outros problemas de saúde. Há um um aumento no risco de que possa haver interação das drogas antiepilépticas com essas outras drogas. Assim, é especialmente importante que os pacientes idosos falem aos seus médicos sobre todas as medicações que estão tomando.

Pacientes idosos podem ser mais sensíveis aos efeitos colaterais das drogas, como cambalear ao caminhar ou fadiga. Caso isto ocorra, eles devem ser relatados ao médico ou outro membro da equipe de saúde. Alguns pacientes idosos têm dificuldade em tomar regularmente as medicações. Esquecimento, confusão sobre múltiplas medicações que eles têm que tomar ou simples problemas como dificuldade em abrir o frasco, podem estar envolvidos. Isto é importante para que os familiares ou as pessoas que prestam cuidados sejam alertados sobre esses problemas e ajudá-los quando necessário.

Existem coisas muito importantes que as pessoas com epilepsia podem fazer para garantir ao seu tratamento a melhor chance de sucesso: tomar regularmente sua medicação; saber mais sobre a medicação; perguntar ao seu médico ou farmacêutico informações sobre a medicação e possíveis efeitos colaterais. Se você obtiver informação de outras fontes, tais como amigos ou Internet, que cause preocupação, verifique com seu médico ou farmacêutico.

Não mude a dose da medicação sem consultar seu médico ou farmacêutico. Muitas medicações podem trazer efeitos colaterais. Excesso de medicação pode aumentar suas crises!

Seja honesto. Se você esqueceu de tomar algumas doses ou teve efeitos colaterais, fale. Se você não for honesto com seu médico, ele ou ela não poderá ajudá-lo. Não pare a medicação abruptamente. Isto pode resultar em um dramático aumento de crises, que poderá ser perigoso para você. Pergunte ao seu médico o que fazer se você esquecer a dose da medicação. Não pense que se você esqueceu de tomar algumas doses, você poderá tomá-las todas de uma única vez ou quando sentir que terá uma crise. O que você necessita é uma certa quantidade de medicação, tomada regularmente, para conservar um nível constante do remédio em seu sangue.

Não tente usar remédios de outras pessoas, mesmo se um amigo disser que para ele estão fazendo bem. Leve o nome da medicação para o seu médico e pergunte-lhe se ela lhe fará bem. Nunca misture grandes quantidades de álcool com a medicação. Pergunte ao seu médico se você pode consumir pequenas quantidades de bebidas alcóolicas.

Seja cuidadoso quando iniciar uma nova medicação ou fazendo uma grande mudança na dose. Não dirija até você conhecer como a nova droga ou a diferente dosagem afetarão você. Ela pode deixá-lo sonolento.Dê à sua memória alguma ajuda se você tiver problema em lembrar de tomar sua medicação. Lembre-se de repor diariamente ou semanalmente a caixinha de comprimidos. Use o despertador do relógio. Deixe os comprimidos onde você possa vê-los sempre e anote no calendário. Tome sua medicação ao mesmo tempo que desempenha outras tarefas diárias, como por exemplo, escovar os seus dentes após às refeições ou antes de deitar-se.

Não deixe sua medicação terminar. Faça uma programação para recordar-se até que se torne automático. Compre a medicação vários dias antes do seu término. Se solicitar sua medicação por correio, faça-o com tempo suficiente pois existe uma demora até recebê-la em casa. Leve medicação suficiente quando sair de férias, de forma a estar abastecido até seu retorno. Leve uma cópia de sua prescrição médica e o número de telefone do seu médico. Dessa forma você pode repor facilmente qualquer remédio.

Conserve toda medicação fora do alcance de crianças pequenas. Conserve a medicação no frasco original, com rótulo identificador e tampa à "prova de crianças". Se estiver usando um porta-comprimidos, conserve-o em lugar seguro se houver crianças por perto. Os avós e outras pessoas devem lembrar-se que as crianças que estão aprendendo a andar podem ser muito curiosas.

Conheça o nome e a dosagem da sua medicação. Tome nota disso, assim você poderá lembrar-se sempre. Conserve toda medicação antiepiléptica longe da luz solar e da umidade. O armário no banheiro ou sobre o lava-louças na cozinha não são bons lugares para guardá-la. Lembre-se de dizer ao seus médicos, dentista e farmacêutico que você está tomando medicação antiepiléptica. É sempre bom levar com você os frascos da medicação quando for à consulta médica.

Se você está infeliz com seu nível decontrole de crises ou está tendo problemas com os efeitos colaterais produzidos pela medicação, fale com seu médico. Pergunte-lhe sobre outras medicações ou tratamentos que podem ser mais apropriados a você.

Outros tratamentos

Se a medicação não controlar as crises ou se alguém é altamente sensível aos efeitos colaterais, podem existir algumas outras opções para serem experimentadas.

A cirurgia para remover parte do cérebro onde as crises são sabidamente originadas ou para interromper a propagação da atividade paroxística de um lado do cérebro para o outro, pode ser uma opção. A cirurgia de epilepsia, como outras formas de tratamento, tem seus riscos e benefícios e há provavelmente, um longo período de testagem antes que a decisão de operar seja feita.

A dieta cetogênica pode ser uma opção para crianças com crises de difícil controle. É muito rica em gorduras e pobre em carboidratos, com calorias restritas e sem açucar. Para algumas crianças essa dieta faz muito bem, para outras ajuda até um certo grau e para outras crianças ela não é tolerada ou não é efetiva. Já que a dieta usa alimentos para produzir mudanças bioquímicas no corpo, isto deve ser prescrito e monitorado por um médico com o auxílio de uma nutricionista e o consentimento da família.

Estimulação elétrica do cérebro pode ser uma terceira opção quando outras formas de tratamento falham. Esta técnica usa uma bateria implantada para levar descargas regulares de energia diretamente ao cérebro através do nervo vago. O dispositivo é programado pelo médico, mas o paciente também pode variar a quantidade de estimulação que ele ou ela necessitar. Como em outros tratamentos, algumas pessoas são mais favorecidas que outras.

Finalmente, há esperança de que as pesquisas levarão a novos tratamentos que ajudarão a todos que têm epilepsia.

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Novas terapias para as crises

Nos últimos dez anos surgiram novos horizontes no tratamento das epilepsias.

Desde 1990, a US Food and Drug Administration (FDA) aprovou cinco novas medicações. A cirurgia de epilepsia tem se aperfeiçoado. Uma dieta terapêutica para crianças com crises de difícil controle está sendo usada mais amplamente e com maior sucesso. Duas novas formas para tratar crises prolongadas estão agora disponíveis, incluindo terapia domiciliar. E uma nova forma de prevenir crises está sendo introduzida.

Medicações

A primeira das novas drogas aprovadas foi o felbamato (Felbatol), que chegou ao mercado em julho de 1993. Esta droga ajudou várias pessoas, especialmente aquelas com crises parciais e crises relacionadas à síndrome de Lennox-Gastaut. Entretanto, seu uso precisou ser limitado em função de sérios efeitos colaterais.

No fim do ano de 1993 a FDA aprovou a gabapentina (Neurontin) como uma droga coadjuvante no tratamento das crises parciais. No ano seguinte, lamotrigina (lamictal) foi aprovada também para o tratamento das crises parciais. Topiramato (topamax) chegou ao mercado em 1996, seguido pela tiagabina (Gabitril).

Enquanto essas novas drogas eram aprovadas para tratamento de um tipo de crise, as pesquisas continuam para ver se elas são efetivas também no tratamento de outras formas de epilepsia. Outras formas da carbamazepina (Tegretol SR e Carbatrol) foram também aprovadas nos últimos dois anos. O diazepam em forma de gel retal está agora disponível para uso em casa, para casos de status epilepticus ou se o médico recomendá-lo para crises prolongadas. Finalmente, fosfenitoína (Cerebyx) foi desenvolvida para tratar status epilepticus em hospitais.

Dietacetogênica

Há aproximadamente 80 anos atrás, um médico inventou uma dieta que "enganava " o organismo para queimar a gordura para retirar energia, ao invés da glicose. A dieta foi usada para prevenir crises em crianças, mas caiu em desuso com o desenvolvimento de novas medicações. Há alguns anos atrás, pelos esforços de um produtor de Hollywood – Jim Abrahams, cujo filho Charlie foi ajudado pela dieta, e o contínuo compromisso de pais e médicos entusiamados que acreditavam em seu potencial, a dieta cetogênica retornou como um bom tratamento quando as crises da infância são de difícil controle. Mais pesquisas estão sendo feitas para se saber sobre as razões subjacentes para o efeito positivo da dieta. Quando monitorada cuidadosamente por uma equipe médica, a dieta ajuda uma entre três crianças que são tratadas com a dieta.

Estimulação Eletrônica

A FDA aprovou um novo tipo de terapia em 1997, chamada estimulação do nervo vago. Consiste em um pequeno gerador de pulso programável (um tipo de bateria) que é implantada sob a pele do lado esquerdo do peito com eletrodos que correm sob a pele e são conectados ao nervo vago no pescoço. Os médicos programam o dispositivo para levar pequenas descargas de energia diretamente ao cérebro através do nervo vago. O paciente ou o acompanhante podem usar um imã para estimular o gerador se a crise parecer iminente. Os efeitos colaterais incluem rouquidão e uma mudança na qualidade da voz. Trata-se apenas de tratamento paliativo.

Assim, a última década tem produzido muitos avanços no tratamento das crises. O novo século promete tratamentos mais efetivos e mesmo a cura no futuro.

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