Cirurgia de Epilepsia

A cirurgia do cérebro é um modo de tratamento para alguns tipos de epilepsia que não podem ser controladas com medicação. Riscos e benefícios da cirurgia devem ser cuidadosamente discutidos com os médicos que vão realizar a cirurgia.

Certos testes são necessários antes da operação. Em alguns casos, a cirurgia de epilepsia requer duas operações. Nem todos os pacientes são bons candidatos à cirurgia. Fazer a cirurgia não garante que a pessoa ficará livre das crises ou não terá que tomar mais as medicações. Entretanto, as chances são grandes de que a maioria das pessoas fique sem crises após cirurgia de epilepsia bem sucedida.

Como novas técnicas de imagem e registro de crises têm sido desenvolvidas, tem se tornado fácil identificar áreas cerebrais onde as crises iniciam. Estes desenvolvimentos têm elevado o sucesso das ressecções cerebrais. Outras cirurgias em grande uso são a calosotomia, a transecção subpial múltipla e as hemisferectomias.

Cirurgia como tratamento

As crises epilépticas são produzidas por uma atividade anormal no cérebro. A remoção cirúrgica de áreas cerebrais que provocam crises tem sido uma forma de tratamento aceita há mais de 50 anos. Entretanto, por causa das novas técnicas cirúrgicas e novos modos de identificar as áreas que serão removidas, um maior número de cirurgias têm sido feitas nos últimos anos, com taxas de sucesso cada vez maiores.

A cirurgia pode ser realizada tanto em crianças quanto em adultos. Não é, no entanto, um tratamento indicado para todos os portadores de epilepsia ou para aqueles com bom controle de crises através de medicação.

Para decidir se um adulto ou uma criança será beneficiado com a cirurgia, os médicos desejam saber:

  • O problema é realmente epilepsia?

  • É um tipo de crise pode ser ajudado por uma operação?

  • Nós fizemos todos os esforços para controlar as crises com medicamentos, dieta ou outro tratamento?

  • Essa condição pode melhorar sem a cirurgia?

  • Pode ficar pior sem a cirurgia?

  • Os benefícios são maiores que os riscos?

A cirurgia pode ser feita com segurança nas áreas cerebrais afetadas?

Existem questões muito individuais com diferentes respostas para cada pessoa, baseadas na história médica do paciente ou sua família. Extensos exames físicos, registros médicos e uma grande bateria de testes pré-operatórios podem ser necessários.

Tipos de Cirurgias

Toda cirurgia de epilepsia manipula o cérebro. Entretanto, diferente tipos de operações podem ser feitas. Em geral, elas estão dentro de dois grupos:

1- Remoção da área cerebral que está produzindo as crises;

2- Interrupção do caminho do nervo, ao longo do qual os impulsos que originam as crises se espalham.

Ressecções corticais

As crises que se iniciam em uma ou mais áreas do cérebro são conhecidas como crises parciais simples ou complexas. As crises podem ter diferentes formas, dependendo do local onde são originadas no cérebro.

O cérebro é dividido em áreas chamadas lobos. Existem os lobos temporal, frontal, parietal e occipital. Existem dois lobos de cada, um de cada lado do cérebro. Uma cirurgia que remove toda ou parte dessas áreas é chamada de lobectomia.

Este tipo de cirurgia pode ser feita quando uma pessoa tem crises que começam sempre no mesmo lobo. É possível parar as crises removendo a área que as produz, caso isto possa ser feito com segurança, sem danificar funções vitais.

A lobectomia remove uma área pequena do cérebro. Entretanto, em poucos casos, uma criança pode ter doenças cerebrais graves somente de um lado do cérebro, que produz crises incontroláveis e paralisias no lado oposto do corpo.

Quando isto acontece, uma operação mais extensa deve ser considerada. Ela é chamada hemisferectomia. Ela remove todo ou quase todo o hemisfério cerebral.

É impossível que um adulto possa funcionar somente com metade do cérebro mas em crianças uma metade pode substituir a outra que foi removida. Porém, haverá fraqueza e perda de alguns movimentos do lado oposto do corpo. Haverá também uma perda da visão periférica.

Calosotomia

Outro tipo de cirurgia para epilepsia é chamada de calosotomia. A calosotomia não retira tecidos cerebrais. Em vez disso,ela interrompe o espraiamento das crises, cortando as fibras nervosas que conectam um lado do cérebro ao outro. Esta ponte nervosa é chamada de corpo caloso. As crises que podem responder a este tipo de cirurgia são as generalizadas tônico-clônicas, as crises com queda e as mioclonias. Estas crises afetam ambos os lados do cérebro ao mesmo tempo e não existe uma área que possa ser removida para pará-las.

As crises geralmente não param inteiramente. É provável que algum tipo de atividade crítica permaneça em um ou no outro lado do cérebro, mas as crises são geralmente menos graves que as crises prévias. Além disto, parece haver um ganho na função intelectual devido à uma melhora da atenção.

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Transecção subpial múltipla

Algumas crises são originadas a partir de regiões do cérebro que são responsáveis por funções importantes, como o movimento ou a linguagem. A remoção dessas áreas levaria, por exemplo à paralisia ou à perda da função da linguagem. Uma técnica cirúrgica chamada transecção subpial múltipla (TSM) pode ser realizada nessas situações. Isso implica em fazer pequenas incisões no cérebro nas regiões que interferem com o espalhamento dos impulsos que provocam as crises. Esta técnica pode ser usada sozinha ou juntamente com a lobectomia.

Conclusões

A operação

Uma cirurgia de epilepsia bem sucedida depende de uma seleção cuidadosa de pacientes, habilidade médica e principalmente de uma equipe cirúrgica muito bem treinada. A operação pode levar várias horas para ser realizada. Os cirurgiões primeiro localizam e depois removem a área identificada nos pré-testes como a origem das crises; cuidadosamente separam as fibras nervosas entre as duas metades do cérebro se uma calosotomia está sendo realizada ou fazem as incisões requeridas pela TSM.

Os registros eletroencefalográficos durante a cirurgia ajudam os médicos a mapear a exata área cerebral a ser removida. O cérebro pode ser estimulado com leves impulsos elétricos durante a cirurgia para identificar as áreas que controlam a fala, movimentos e sensações. Às vezes, toda a operação é feita com o paciente acordado, sob anestesia local. Isto é possível pois o tecido nervoso não é sensível à dor.

Recuperação

Após a operação, o paciente permanece uma semana no hospital e então vai para casa e continua sua recuperação. Após aproximadamente três a cinco semanas ele pode voltar às suas atividades normais. Os médicos recomendam que os pacientes operados continuem com a medicação antiepiléptica por aproximadamente 1 ano após a operação. Algumas pessoas podem ter que continuar a tomar a medicação indefinidamente para obter o controle das crises.

Planejamentos futuros

Uma boa comunicação entre o paciente e o médico é importante em todo o tratamento da epilepsia, mas especialmente quando a cirurgia está sendo considerada. Embora a cirurgia de epilepsia seja hoje mais comum, mais bem sucedida e segura que antes, ainda é uma cirurgia grande. O paciente e a família devem formar um quadro realista dos benefícios, riscos e probabilidades de cura.

Pode haver alguns efeitos físicos pós-operatórios. Às vezes ocorrem mudanças emocionais (muitas vezes positivas). As pessoas podem sentir-se desapontadas se suas crises não cessam completamente ou se têm que continuar a tomar a medicação, ao menos por um tempo, depois da cirurgia.

Quando as crises param completamente ou acontecem raramente, há um sentimento de alívio e comemoração. Mas às vezes, as pessoas também sentem-se deprimidas. Pode ser difícil corresponder às novas expectativas que outros possam ter ou ajustar-se à nova forma de viver sem crises após tanto tempo convivendo com as mesmas.

Na maioria dos casos essas reações são temporárias. Assim como outros resultados que decorrem da cirurgia de epilepsia, eles podem ser melhor cuidados se tanto a família quanto o paciente souberem o que esperar do procedimento e dialogarem abertamente com a equipe multidisciplinar (neurologistas, cirurgiões, enfermeiras e psicólogas) antes que a cirurgia seja feita.

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