Tese da Universidade de São Paulo oferece novos rumos à cirurgia de epilepsia

A tese de doutorado defendida pelo Dr. Arthur Cukiert no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo trouxe nova luz para a cirurgia de epilepsia. O Dr. Cukiert, neurocirurgião especializado em cirurgia de epilepsia, Diretor da Clínica de Diagnóstico e Terapêutica das Epilepsias e Chefe do Serviço de Cirurgia de Epilepsia do Hospital Brigadeiro, trabalhando com animais de experimentação introduziu modelos experimentais que propõem novas abordagens em relação a um tipo de cirurgia para a epilepsia chamada calosotomia.

A calosotomia consiste na separação dos hemisférios cerebrais (direito e esquerdo) que normalmente são unidos por uma estrutura chamada de corpo caloso. Ao contrário do que se pode imaginar, a desconexão dos hemisférios cerebrais em casos selecionados não causa problemas mas sim melhora da função intelectual , diz Cukiert. Isto ocorre pois o corte da comunicação entre o lado esquerdo e direito do cérebro impede o espalhamento da descarga epiléptica, responsável pelas crises e pela deterioração intelectual destes pacientes.

Segundo o Dr. Arthur Cukiert, a calosotomia é excelente cirurgia para os pacientes com as chamadas crises generalizadas (convulsões) e pode ser realizada de modo extremamente seguro e eficaz.

Apesar da calosotomia já ter sido proposta empiricamente há algum tempo, os dados obtidos nestes estudos da USP são pioneiros na sistematização do procedimento, retirando o caráter empírico das calosotomias. Estes dados obtidos em animais sugerem fortemente o caminho a ser seguido no tratamento da doença humana, o que os torna extremamente relevantes.

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