Trabalhos em congressos

TRATAMENTO CIRÚRGICO DE PACIENTES COM DESCARGAS BITEMPORAIS INTERCRÍTICAS ASSOCIADAS
A ESCLEROSE MESIAL UNITEMPORAL À RM.

Buratini JA, Argentoni M, Ferreira VB, Cukiert A, Forster C, Frayman L, Ferreira VB, Machado E, Sousa A, Vieira J.

Serviço de Cirurgia de Epilepsia do Hospital Brigadeiro e Clínica de Epilepsia de São Paulo, São Paulo SP.

Introdução: A epilepsia temporal é a síndrome refratária mais comumente submetida à cirurgia. Pacientes com descargas unitemporais e RM mostrando esclerose mesial não necessitam necessariamente ser investigados com vídeo-EEG e espera-se uma prevalência de remissão em torno de 90% após cortico-amígdalo-hipocampectomia. Acredita-se que os pacientes com descargas bitemporais possuam pior prognóstico cirúrgico. Este estudo relata a experiência cirúrgica com pacientes com descargas intercríticas bitemporais independentes e esclerose mesial unilateral à RM.

Material: Trinta e cinco pacientes com descargas interictais bitemporais independentes e esclerose mesial unilateral na RM e submetidos à cortico-amígdalo-hipocampectomia do lado da esclerose foram estudados. A média de idade foi de 26 anos (18-48) e frequência média de crises de 1x / semana. Todos possuíam crises parciais complexas e 78% possuíam crises parciais simples. O tempo de seguimento médio foi de 18 meses (4-48). Em 6 pacientes as descargas interictais predominavam no lado contralateral ao operado.

Resultados: Trinta pacientes estão sem crises (85%) e os outros 5 estão em Engel II (melhora mínima de 90%). Não houve morbi/mortalidade cirúrgica. Não ocorreram novos deficits de memória. Cinco dos 6 pacientes com predomínio de descargas contralaterais ao lado operado estão livres de crises.

Discussão: Esta série apresenta resultados clínicos em relação à remissão das crises (85%) um pouco inferiores aqueles por nós obtidos em uma série de 100 pacientes unitemporais operados (91% de remissão), não atingindo, no entanto, significado estatístico. Pacientes bitemporais com esclerose unilateral também apresentam alta prevalência de remissão das crises após cirurgia. Predomínio contralateral das descargas não contraindica a cirurgia.

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