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TRATAMENTO CIRÚRGICO DA EPILEPSIA BITEMPORAL
Arthur Cukiert, Mario Andrioli, Cassio Forster, Viviane Ferreira, Leila Frayman.
Serviço de Cirurgia de Epilepsia, Hospital Brigadeiro e Clínica de Diagnóstico e Terapêutica das Epilepsias de São Paulo.
Uma parcela considerável dos pacientes portadores de epilepsia temporal possuem descargas bitemporais. Alguns destes pacientes possuem crises originando-se em ambos temporais, no entanto, na maioria deles as crises predominam ou originam-se exclusivamente em um dos lobos temporais. A minoria destes pacientes possui esclerose mesial temporal (EMT) bilateral à RMN. Na maioria dos casos refratários, EMT unilateral está presente à RMN. Os achados neuropsicológicos tendem a ser bilaterais. Quinze pacientes com epilepsia bitemporal refratária e EMT unilateral submetidos a tratamento cirúrgico foram estudados. Todos tiveram suas crises registradas e 10 realizaram teste de Wada onde obtiveram o padrão passa-ipso / falha contralateralmente. Os achados neuropsicológicos foram bilaterais em todos. Todos foram submetidos à cortico-amígdalo-hipocampectomia com eletrocorticografia ipsolateral à RMN. Quatorze pacientes estão livres de crises (Engel I) e 1 está em Classe II de Engel. Não houve morbi/mortalidade cirúrgica. Em especial, não houve deterioração da memória em nenhum caso. Em 8 casos, houve melhora do padrão de memória correspondente ao lado não operado. Em 8 casos, houve desaparecimento das descargas do lado contralateral à cirurgia. Pacientes com epilepsia bitemporal podem ser operados com sucesso. Em pacientes com EMT unilateral, os resultados parecem ser semelhantes aqueles obtidos em pacientes unitemporais. |