EFEITO DO PROPOFOL NA ATIVIDADE ELETROCORTICOGRÁFICA CRÍTICA NA EPILEPSIA DO LOBO TEMPORAL.
Forster, C., Frayman, L.; Cukiert, A. e Andrioli, M.S.D.
Serviço de Cirurgia de Epilepsia do Hospital Brigadeiro, São Paulo SP.
OBJETIVOS: A eletrocorticografia intraoperatória é em geral limitada em termos de tempo, já que a mesma deve ser realizada às custas do tempo cirúrgico. Nesta situação, o registro de crises eletrográficas é bastante raro. Diversos agentes anestésicos de ação rápida estão sendo utilizados atualmente, entre eles o propofol. O presente estudo relata a eficácia do propofol em abolir a atividade crítica em pacientes anestesiados.
MÉTODOS: O paciente J.F. , 32 anos, possuía crises parciais simples autonômicas e complexas refratárias. Seu EEG mostrava atividade espicular temporal direita e a RMN mostrava esclerose mesial direita. O neuropsicológico demonstrava mal-funcionando temporal direito. Durante a eletrocorticografia, registravam-se frequentes espículas temporais anteriores direitas, que em dado momento sincronizaram-se dando início à uma crise eletrográfica de início nesta região e espalhando-se a seguir pelo resto do lobo temporal. Com o objetivo de bloquear a atividade crítica, injetou-se propofol na dose de 100 mg endovenosamente.
RESULTADOS: Após 1 minuto, o propofol iniciou sua ação, entrecortando a atividade crítica e dando origem a um típico padrão de surto supressão (espícula-supressão). O efeito durou 10 minutos. Após isto, persistiu a atividade espicular com padrão intercrítico.
CONCLUSÕES: O propofol, ao contrário de outros anestésicos como o ethomidate é droga eficaz para a interrupção da atividade epiléptica ictal. |